terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Futurologia 2014 Brasil e Espanha

Olá, queridos !

           
Basta de retrospectivas e listas de acontecimentos de 2013! Vamos ligar a bola de cristal e fazer um exercício de futurologia para o Brasil e a Espanha.

           





Brasil:

             - Copa do Mundo (com o título, espero!);
             - eleições
             - estádios da Copa do Mundo que não ficaram prontos;
             - mensalão e seus "condenados";
             - instalações da Copa superfaturadas;
             - Carnaval, Páscoa, festas juninas, etc.
             - Seleções chegando para a Copa
             - PIB caindo, políticos prometendo, prometendo, prometendo..;
             - A Copa !!!!!
             - Eleições: ai, meu Deus!
             - Fim de Ano: feliz 2015 rumo a 2016!

 Espanha:

             - Copa do Mundo (mas sem o título);
             - político prometendo que este será o ano da recuperação econômica;
             - seleção espanhola treinando;
             - discussão sobre o ETA;
             - discussão sobre a reforma da lei do aborto;
             - discussão sobre se a Catalunha vai ou fica;
            - discussão sobre a recuperação econômica;
            - discussão sobre a capacidade da seleção espanhola manter o título;
            - festa do padroeiro, festa da padroeira, festas de sempre...
            - A Copa !!!
            - mais discussões sobre o ETA e a Catalunha;
            - feliz 2015 !

Para mais informações turísticas: www.rumoamadrid.com.br

domingo, 29 de dezembro de 2013

Histórias da Pacificação

Olá, queridos !

        Em cartaz na Casa de América, a mostra fotográfica "Histórias da Pacificação". Fomos lá conferir as fotografias tiradas pelos moradores sobre a expulsão do tráfico e a ocupação da UPP no morro dona Marta e no complexo do Alemão. A exposição é bacana, bate uma saudade imensa, mas não tem muita explicação. Tivemos que salvar dois turistas italianos que não sabiam o motivo do  Michael Jackson ter uma estátua em uma comunidade no Rio. Igualmente traduzimos um aviso em português e discutimos um pouco sobre a validade desta política de pacificação pós-Olimpíada. Enfim, adoro ver coisas do Brasil aqui e explicá-las pros gringos e nativos. Cumpri minha missão!

     

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

Olá, queridos !

       Aviso: este post é um pouco mais longo.

     Como vocês sabem há um movimento na Catalunha para se separar da Espanha e, finalmente, se constituir em um Estado independente e soberano. O presidente daquela região já convocou um referendo para 2014 O governo central avisou que tal evento não vai acontecer. E agora? Hoje publico algumas razões pró-unidade. Posteriormente veremos os argumentos dos separatistas.

                 Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

Antes de tudo, um pouco de História (!!!). O artigo da Wikipédia ajuda:  http://es.wikipedia.org/wiki/Historia_de_Catalu%C3%B1a

Uma rápida explicação político-territorial:

- a Espanha se constitui em um Reino dividido entre comunidades autônomas. Quem é o chefe de Estado é o Rei Juan Carlos I e o chefe de Governo (aqui chamado de presidente e não primeiro-ministro) é, atualmente, Mariano Rajoy, do Partido Popular.
- Cada comunidade autônoma elege seu presidente. Mal comparando, as comunidades seriam o que entendemos por estados no Brasil, mas com muito mais autonomia. Aproxima-se do modelo americano? Um pouco, embora o povo daqui não se defina como federal.
Os modelos de eleição se repetem em nível central e regional. Ou seja: quem forma a maioria no parlamento, leva a presidência. Em nível central ganhou o PP de lavada. Já na Catalunha, a coisa foi mais complicada de dois partidos antagônicos, “Convergência e União” e “Esquerda Republicana” dividem o poder. Até quando?
- As comunidades autônomas, por sua vez, se dividem em cidades e deputações. Vou te poupar da explicação...

Agora, alguns avisos:
Nas ciências políticas, assim como na vida, tudo é um ponto de vista. Procurei colocar jornais de direita e esquerda, para que você tenha uma visão mais abrangente. Tradicionalmente, o partido de centro-esquerda, o PSOE, é mais pró-autonomia e o de direita, o PP, atualmente no governo, menos. Exemplo: a política educacional bilíngue foi feita pelos socialistas; enquanto os populares tentam agora desmontá-la.

Para complicar mais a vida, aqui na Espanha existem partidos regionais, que tem pouca ou nenhuma expressão nacional. O “Convergência e União”, atualmente na Catalunha, é um deles. Para completar está aliado a um partideco de esquerda, o “Esquerra Republicana”, cuja única semelhança com o primeiro é esta: lutar pela independência da Catalunha.
Igualmente há o problema do regime político. Como você sabe a monarquia aqui é muito contestada. Ainda mais agora que descobriram que o genro do Rei tem cara de bonitinho, mas é um tremendo pilantra. Quem deseja a independência quase sempre é republicano. Claro que tem as exceções de praxe que dizem que o sistema de governo será escolhido posteriormente, mas não achei nenhuma referência monárquico-independentista. Isso acontece porque o Rei é visto como um garante da unidade territorial espanhola e claro que isso seria incompatível com este projeto. De todas as formas a ideia não seria absurda porque, nos primórdios, a Catalunha tinha um soberano.


Ufa! Acho que podemos começar. Repetindo:

Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

1-           Porque não é necessário.

A Catalunha já goza de uma importante autonomia dentro do estado nacional espanhol. Possui sua própria polícia, parlamento, calendário de eleições, sua forma de recolher impostos, um sistema educativo bilíngue, etc. Além disso, possuem hino, bandeira e dia nacional (a “Diada”, comemorada em 11/09) exclusivos também. A Catalunha, igualmente, tem representações diferenciadas dentro das embaixadas espanholas. Aliás, outras comunidades autônomas da Espanha têm quase as mesmas prerrogativas citadas acima.
As únicas áreas em que a Catalunha não tem competência para gestionar são a política econômica e a política externa. Na prática isso também vale para os estados nos EUA, por exemplo. Mas mesmo assim aqui há brechas nesta legislação. Tomemos um exemplo: a Catalunha não pode emitir moeda. O dinheiro se chama “euro”, como um dia se chamou “peseta”. E ponto final. No entanto, quem decide o que fazer com os impostos são os catalães e não é preciso dar contas ao governo central. Isso acabou com a crise e agora eles têm que dizer para onde vai (ou foi) o dim dim.
Em termos de política externa, a Catalunha não pode declarar guerra a nenhum país, não tem Exército próprio e voz em fóruns internacionais. Entretanto, como já disse, tem escritórios catalães dentro de algumas embaixadas espanholas. Igualmente, o Instituto Cervantes oferece aulas de catalão em suas sedes pelo mundo.
2-      Porque os cidadãos estão divididos.

Muitos pensam que a população da Catalunha apoia em peso a independência. Sim e não. De fato, há manifestações que reúnem multidões para reivindicar a independência, mas ano passado foi significativa a quantidade de catalães que saiu às ruas para mostrar seu desejo de continuar na Espanha. Uma pesquisa recente disse que 53% da população votaria pela independência. Eu acho pouco para uma decisão desta magnitude.


3-      Porque os cidadãos percebem que é uma manobra política:

Confesso que conheço poucos catalães, mas os 3 (sem conhecerem-se entre eles) dizem a mesma coisa: sou a favor da independência, mas não com esta classe política. Aqui na Espanha, os políticos não ficam nada a dever aos seus pares brasileiros em termos de corrupção e cara de pau. Muitos cidadãos percebem que a questão é manipulada pelos políticos que usam isso como argumento para ter mais concessões do Estado central.
Certa vez dei aula para um catalão, de Barcelona, e perguntei qual era a posição dele em relação ao tema. Ele foi enfático: quero a independência, mas não quero o Artur Mas como presidente da Catalunha.
Para outro, perguntei sobre a questão do ensino bilíngue (que o atual ministro da Educação quer diminuir). Resposta: isso é querela política. O catalão vai continuar a ser ensinado em casa, pelos pais, como tem sido nos últimos trezentos anos.
Aqui, na capital, os madrilenhos costumam balançar a cabeça e falar do assunto como se fosse um capricho de crianças. Aquela mesma cantilena “com esta crise que temos e lá vem esses catalães falando de independência de novo...”
Porém, não se engane. Tenho dois amigos brasileiros que estudaram e viveram na Catalunha e voltaram mais independentistas que o time do Barcelona.

4-      Porque é uma falácia o argumento de “opressão” e “exploração”.

Os políticos, assim como os historiadores, adoram as palavras e sabem usá-las quando lhes convém. Fala-se muito que a Espanha, o estado central, oprime a Catalunha desde a conquistada no século 18. Realmente suas instituições foram fechadas na época e o catalão reduzido à esfera privada; porém, o contexto era outro e aí sim, havia opressão.
 Na história recente isso era mais ou menos certo no final do século 19 e na época de Franco, que proibiu o catalão e demais símbolos catalães. Digo “mais ou menos” porque Franco restringiu à cultura local, mas agradou os empresários barceloneses e catalães com indústrias, bancos, incentivos fiscais, etc. Ditadores costumam ser arbitrários, mas não estúpidos.
Com a volta da democracia e a Constituição de 78, isso mudou. A região tem autonomia suficiente para fazer o que bem entende, usar todos os seus símbolos e idioma. Entretanto fica bonito colocar no discurso que “a Espanha nos oprime, nos explora, pobres de nós”, etc.

5-      Porque a União Europeia já avisou que não aceitará a Catalunha como Estado independente:

A UE não vê com bons olhos outro Estado formado a partir de uma cisão entre um Estado antigo. Por uma razão muito simples: apesar de a Europa estar “pacificada” há muitas regiões que não se reconhecem como pertencentes a uma nação. Ui! A lista é grande: Sérvia, Bósnia, Kosovo, Irlanda do Norte, Escócia, Itália do Norte x Itália do Sul, Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental (sim, na prática ainda estão divididas), Bélgica, Ucrânia, etc. Se a União Europeia concede este direito à Catalunha, isso significa um apoio às outras aspirações nacionalistas. Não esqueça que a UE tem a obrigação de conceder ajuda econômica aos estados membros que se incorporam e não há tanta grana agora para fazê-lo.
A posição da França segue a mesma lógica: isso é problema dos espanhóis. Vocês que são brancos que se entendam...

6-      Porque a Catalunha não tem condições econômicas para se sustentar:

Quem injeta dinheiro quando eles precisam são a Espanha e, mais recentemente, a União Europeia. Várias das infraestruturas construídas ali foram financiadas com dinheiro da UE. Até aí nada demais, pois esse era um dos propósitos iniciais da UE. Aqui em Madri é muito comum ver no metrô “obra financiada com recursos do Fundo Europeu tal”. Fantástico. Todo mundo ganhou.


7-      Porque na Catalunha não vivem somente catalães:

Questão problemática: o que é um catalão? O que é um espanhol? Na Catalunha tem o povo que fala catalão, torce pro Barça, acha Barcelona melhor que Madri e etc. Mas também tem muita gente de outras regiões da Espanha, notadamente da Andaluzia e Galícia, que levaram sua cultura e língua também. Sim, porque existe o galego como idioma e o espanhol da Andaluzia eu considero também outra língua porque é o mais difícil de entender (brincadeira). Essa gente chegou lá nos anos 40, 50 e agora tem filhos e netos.

E agora? Quem é catalão? Nascidos na Catalunha? Com avós catalães? Essa gente toda vai virar “estrangeira” da noite para o dia? E como a Espanha vai tratar os catalães que moram nas outras regiões? Mistério...

Nota de pé de página:

Ao contrário do Brasil, aqui a nacionalidade é definida pela região de onde você vem. Nunca vou me esquecer de uma vez, dando a primeira aula de português para uma turma, com aquelas perguntas clássicas: “qual é o seu nome?”, “quantos anos você tem?” e “qual é a sua nacionalidade?”. A menina, de Badayona (pertinho de Barcelona), parou e me perguntou:

- Você quer saber de onde eu venho ou qual é a minha nacionalidade?

Gelei. Não é a mesma coisa? Não na Espanha.

Ao fazer a mesma pergunta para um aluno de um subúrbio de Barcelona ele foi mais sagaz:

- Aqui na Espanha eu sou catalão, mas nos Estados Unidos e no estrangeiro eu sou espanhol.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

¡Feliz Navidad!


Olá, queridos !!
A equipe de 3 do blog deseja a todos um Feliz Natal. Para isso deixamos com vocês imagens dos presépio montado pel El Corte Inglés da calle Serrano. Beijos !




domingo, 22 de dezembro de 2013

O parto

Olá, queridos!

           Finalmente publico o post narrando como foi o meu parto. Espero que ajude a todas aquelas que desejam fazê-lo naturalmente. Para ler a primeira parte basta clicar neste link aqui.

           Por fim, chegou o dia de conhecer a matrona (doula, em português). Minhas alunas me animaram bastante e todas disseram que tiveram ótimas experiências. Poxa, devo estar com uma urucubaca danada. Tinha milhões de dúvidas sobre o parto e mal sentei, ela já foi dizendo que se eu tivesse dúvidas sobre o nascimento, que esperasse o curso onde as perguntas seriam esclarecidas. Bem, respondi delicadamente que não tinha nada pra fazer ali, pois só tinha dúvidas sobre o tema. Conversamos um pouco mais e encerrei logo a conversa bastante chateada, mas pelo menos já tinha as datas dos encontros.

O curso, sim, foi o melhor de tudo. Logo na primeira aula, a matrona iniciou a explicação com uma frase que jamais esquecerei: “quem faz o parto são vocês, quem vai parir o filho são vocês. A matrona pode estar ali, segurar a mão, dançar uma sevillana, mas quem vai dar a luz, são vocês.” Caramba! Anos e anos ouvindo, “quem vai fazer seu parto?” arrasados em dois segundos. Sou EU quem vou parir, EU que vou botar no mundo uma criatura. Meu marido vai estar lá, claro, mas a responsabilidade é MINHA! Vou ser sujeito e não mera espectadora do nascimento do meu filho.

O curso está estruturado em cinco partes: as últimas semanas da gravidez, os diversos tipos e as etapas do parto, possíveis complicações, procedimentos burocráticos (registro de nascimento, licença maternidade, etc.), e pediatria/cuidados pós-partos. Na primeira aula já fizemos exercícios de respiração.

       Na semana seguinte, a professora tinha sido substituída por outra muito melhor. Ela foi informando como a gestante deve proceder; quais são os sinais que nos indicam que os trabalhos já começaram, contou o que pode dar errado e nos mostrou as soluções para cada caso. O mais legal é que ela sempre minimizava tudo. Se o bebê for grande? Já vi criança nascer de cinco quilos! Se o bebê não estiver encaixado? Pode-se fazer uma manobra. Se a bolsa não rompe? A matrona a fura. E se não tenho contração até a 40ª semana? Vá ao médico, mas dá pra esperar mais duas. E se não tenho dilatação? A ocitocina resolve. E se o bebê está encaixado, mas com o rosto virado pra cima? Dá pra reverter fazendo manobras na hora. E se nada disso der resultado? Aí, sim, faremos um cesárea. E por aí vai. Todas as verdades consagradas no Brasil eram desfeitas como mágica. Tudo que sempre escutei dizer que impediria um parto normal era reduzido a uma banalidade.

      Quando alguma gestante do grupo completava as 38 semanas, a matrona estimulava: façam exercício, sexo (por causa do sêmen), carreguem peso, tudo! Eu cumpri arrisca todas as recomendações. A reta final da gravidez foi parte mais chata para mim, pois já está tudo pronto e comprado e o baby lá dentro.

Enfim. Minha mãe chegou dia 21 e dia 25 andamos, fizemos compras, subi e desci escada. Quando fui dormir comecei a sentir um pouco de dor, mas até aí nada de novo porque pensei eram as contrações preparatórias, que já vinha sentindo desde o começo do terceiro trimestre. Mas como não conseguia dormir de jeito nenhum e o maridão já roncando comecei a pensar que a hora tinha chegado. Aí o acordei com o clássico: amor, acho que é hoje...
         
       Ficamos em pânico? Que nada! Seguimos o roteiro de esperar uma hora para ver se as contrações paravam ou se vinham de cinco em cinco minutos, se a bolsa tinha rompido, etc. Ou seja fizemos tudo que nos ensinaram. Quando o tempo regulamentar passou me arrumei, fiz a última revisão na minha mala e no quarto do baby. Ah! E ainda me lembrei de cortar minhas unhas ! 

Como não tinha dilatação suficiente, nem a bolsa tinha estourado tive que ficar na sala de espera  por duas horas para ver se o quadro mudava. Mas não pensem que era um lugar lotado e sujo. Ali tinham uns três pais ansiosos e uma gestante que estava com enjoos fortes. Como nada disso aconteceu, voltei para a enfermeria e a profissional que antendeu resolveu me encaminhar à sala de parto para que avaliassem a minha situação. Chegando lá a matrona que me acompanharia constatou que era melhor induzir o parto com ocitocina do que ficar esperando mais pela dilação. Depois me perguntou se iria tomar a peridural. Claro, minha filha, onde eu assino? Ela me entregou o termo de responsabilidade, assinei e fiquei aguardando. 

       Sempre tive certeza que tomaria a anestesia. Respeito e admiro que não a toma, mas achei melhor. Já estava me sentindo o máximo poder fazer o parto normal, não ter sido pressionada para fazer cesárea e resolvi encarar todos os riscos que esta anestesia pode trazer.

       Finalmente chegou o anestesista e tudo mudou. Pausa: este foi o único médico com quem tive contato, pois todos os outros profissionais eram enfermeiros ou matronas. Sei que tinha um médico ali para qualquer eventualidade, mas ele não fica presente durante o parto. Afinal, quem vai parir é a mulher e não o médico.

        Depois da peridural tudo mudou. Não sentia mais as contrações e pude relaxar. Aliás, a matrona nos recomendou que dormíssemos, pois o parto ia demorar. Antes de cochilar, meu marido e eu fizemos o que as pessoas do século 21 fazem para avisar os amigos: postei no Facebook que estava na maternidade e meu marido mandava SMS. Notem que ninguém sabia que estávamos lá, pois tínhamos ido para o hospital de madrugada.

        De tempos em tempos uma das matronas aparecia, me avaliava, perguntava como estava tudo. Numa dessas anunciou que meu filho estava com rosto voltado para cima; mas que não me preocupasse que ela tentaria revertê-lo me mudando de posição ou virando-o quando chegasse a hora. Quando ela saiu nos lembramos de que no curso tínhamos ouvido uma história parecida e nem ligamos. Continuamos conectados lendo as mensagens positivas que chegavam!

       Até que fui sentindo uma pressão grande e cada vez maior em direção à vagina. “É o seu bebê descendo” explicou a matrona “em breve ele vai sair.” Ai! O momento tão esperado aconteceu de repente quando uma tropa de dez pessoas entrou no quarto. Três enfermeiras e um médico para o neném, três matronas para mim, uma enfermeira para auxiliá-las e dois não-sei-quem para ficar vendo o parto, pois dei à luz em um hospital universitário.

        E aí foi lindo. A matrona-chefa me dando força, uma avisando quando deveria empurrar e a outra fazendo as manobras. Quando tentava recostar a cabeça, elas me animavam a tentar uma e outra vez. A enfermeira auxiliar tentou amarrar minhas pernas, mas recusei. Aliás, em momento nenhum troquei o português pelo espanhol. Ok. Devo ter dito um “Ai, meu Deus” de vez em quando, mas sempre mantive a consciência. Como não sentia nada (a peridural é eficiente mesmo!), o parto tem que ser narrado pelas matronas: tá chegando, um pouco mais, respira, mais um esforço, já vejo a cabeça, empurra. Concordo que fica parecendo jogo de futebol, mas convenhamos é um mal menor. Entre uma cirurgia e o Galvão Bueno, escolho o segundo sem pestanejar.
      
    Até que num esforço final, as palavras de apoio do maridão e com uma das matronas empurrando a minha barriga (manobra necessária por causa do meu cansaço e da peridural), senti algo que saía. Isso mesmo: senti algo. Fechei os olhos, dei um grito e quando terminei e abri os olhos, vi a coisa mais bonita do mundo no meu peito, todo pequenino, de olhos abertos e entendendo menos do que eu o que estava acontecendo. Dez minutos depois, as enfermeiras que eram responsáveis por ele o pegaram e o levaram para uma mesa ao lado da minha cama e fizeram os exames de iniciais. Depois me devolveram-no e não nos separamos mais.

      Em seguida dei o seio ali mesmo enquanto me limpavam e me davam alguns pontos. Pronto. Fim de festa ou melhor: começava a festa. Exausta, mas feliz. Missão cumprida. Meu corpo é capaz de parir e minha mente também. Sou mulher, estou preparada e posso fazê-lo desde que me ofereçam as condições adequadas. Agora, quando me perguntarem quem fez meu parto vou encher o peito e dizer:

          - Eu mesma: Juliana Bezerra. Prazer.




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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Museu da Cidade "Luis de Morales" - Badajoz

Olá, queridos!

       
Procuro visitar sempre os museus que contam a história da cidade que visito. Aqui em Madri tem o museu das Origens e lá em Badajoz, o museu da Cidade Luis de Morales. Supostamente, ali morou o pintor mais famoso da região, Luis de Morales e o objetivo é dar a conhecer as obras do filho ilustre e contar a história de Badajoz. Infelizmente terei que voltar lá para apreciar os quadros de Luis de Morales, pois o espaço dedicado a ele estava fechado. Mas a parte que conta a história de Badajoz é de chorar de alegria qualquer historiador ou aficcionado por estratégia militar

        Primeiro entramos pelas salas onde estavam vitrines com maquetes dos exércitos que lutaram para liberar a cidade dos franceses. Recriaram, em miniaturas, o assalto das tropas, as táticas, a retirada e, principalmente, a captura de Badajoz pelos ingleses. Tudo isso era narrado em off por gravações que explicavam os principais lances da contenda. O melhor de tudo, porém, é que o funcionário do museu resolveu completar a narração e se pôs a contar vários episódios pra gente.

       
Em seguida, há uma sala com uma linha do tempo onde se destacam os acontecimentos do mundo, da Europa, da Espanha e de Badajoz. Esta é convencional, mas não deixa de ser interessante. adiante uma seleção de especiarias e plantas que compunham os odores de Badajoz de outrora e você pode cheirar e soltar a imaginação !! Também é possível escutar os poemas que os árabes fizeram quando a cidade era dominada por eles.

       
Logo após encontramos o "Bosque de Silhuetas" onde os personagens ilustres que viveram ali em distintas épocas estão representados em uma espécie de bonecos giratórios. Você escolhe o personagem, o vira e pode ler sua biografia. Amei!! Ao lado, manchetes de fatos hstóricos dos jornais de outrora como a visita do rei Alfonso XII ou proclamação da República.

       Para finalizar, o mapa de Badajoz. Em um painel de comando você escolhe um monumento e um foco de luz incide sobre o mapa. Para completar nosso super guia foi ao nosso encontro e nos brindou com mais explicações. Melhor jeito de terminar uma viagem não há.

     
     

         

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Iglesia de la Concepción - Badajoz

Olá, queridos !

         
Ao entrar na igreja da Concepción tive uma sensação de estar ali antes. Não foi um déjà-vu, entenda, foi sentir que havia conhecido um templo com as mesmas características. descobri o mistério ao pesquisar para este post. A igreja foi construída em 1780, final do barroco, e a autoria do projeto é atribuída da Ventura Rodriguez. Este mocinho fez, entre outras obras, a basílica de São Francisco, o Grande e colaborou para levantar o Palácio Real.

           A igreja tem forma elíptica, colunas ladeando o altar principal e belos altares laterais dourados. De repente veio o estalo! Os ornamentos, os altares, até mesmo o formato lembram muito as nossas igrejas levantadas neste período no Brasil, como por exemplo a igreja do mosteiro da Luz, de São Paulo. Não estou dizendo que são iguais, mas como pertencem ao mesmo estilo artístico, fui facilmente transportada para a pátria amada. Gostei dessa viagem!

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José Salazar Molina - Porrina de Badajoz

Olá, queridos!

       
 Dizem que viajar é conhecer novas cultura e novas pessoas. Completo: e novos artistas. Em Badajoz, passeando pela plaza de la Soledad, onde está localizada a capela em honra a padroeira, está também a estátua ao cantor José Salazar Molina, Porrina de Badajoz. O monumento é sensacional: de pé um senhor de óculos escuro, terno impecável, cravo na lapela,  acompanhado de um violão, canta para os passantes e para a santa de sua devoção.

       


José Salazar era filho de ciganos e aprendeu a cantar com a vida. De estatura baixa acabou ganhando o apelido de "porrina" que designa uma espécie de grão que está pequeno demais para ser colhido. Seu estilo e seu modo de vestir o fizeram facilmente identificável para os amantes do flamenco e ele sempre honrava a Semana Santa de Badajoz cantando para a padroeira. Gravou milhares de discos que podem ser ouvidos no youtube e tal qual os portenhos falam de Gardel, os nativos de Badajoz podem dizer que o Porrina canta cada vez melhor.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Natal

Olá, queridos !

   
Está se aproximando o Natal! Nove dias para o nascimento de Cristo. Vivendo e aprendendo, este ano descobri que é tradição na Espanha comer cordeiro durante a ceia enquanto os mais abastados comem pato. Bacalhau e rabanada, definitivamente, só na Páscoa.

     Outro achado foi quanto à decoração. Além de todos os costumeiros enfeites também faz parte comprar um vaso de bico de papagaio para colocar em casa ou presentear. No entanto, sabe como esta flor é conhecida por estas bandas? Flor de Páscoa! Vá entender! PS: Em algumas regiões também é conhecida como "noche buena" como é denominada a noite do dia 24. Contudo nas lojas só se vê "flor de pascuas".

Para quem deseja saber mais sobre o Natal na Espanha recomendo o texto que escrevi para o blog Brasileiras pelo Mundo: http://www.brasileiraspelomundo.com/especial-natal-espanha-25113189

Para saber mais notícias turísticas de Madri e da Espanha: www.rumoamadrid.com.br

domingo, 15 de dezembro de 2013

Museu Arqueológico de Badajoz



Olá, queridos!

 
Continuando nossa intrepidante viagem à Badajoz, ao lado da muralha, está o museu Arqueológico local. É sempre bom visitá-lo, pois você tem um resumão da história do lugar e ainda vê objetos muito bonitos. Assim temos o percurso clássico da pré-história, romanos, visigodos, árabes e finalmente, os cristãos e a a incorporação da cidade ao reino de León.

      O museu está localizado no antigo palácio dos duques de Feria, do século 16 que mais parece um forte. Apesar de ter sido reformado no século 20, o exterior ostenta quatro torres em tijolos e no interior, guarda um pátio quadrado com arcos em estilo mudéjar.

     
O acervo traz interessantes esculturas romanas, lápides e joias. Incrível como esta não saíram de moda e é verdade a história que tudo volta reciclado. Igualmente há capitales e pedaços de altares de igrejas visigodas, bem como o escudo de Badajoz quando esta foi finalmente conquistada pelos cristãos.

     




 Ao contrário dos seus congêneres de Córdoba e Alcalá de Henares, o museu não é muito grande e a visita não cansa. Melhor assim porque se guarda energia para o resto!


Para mais inforamções turísticas: www.rumoamadrid.com.br



sábado, 14 de dezembro de 2013

A muralha de Badajoz

Olá, queridos!

   
  Voltando à vaca fria. Aliás, qual será a origem desta expressão ? Vou perguntar ao oráculo do séc. 21.

         Bem, Badajoz estava ali a meio caminho de Portugal e de Sevillha, e assim, desde priscas eras, foram construídas muralhas para proteger dos ataques. Muito se perdeu ao longo do tempo e das guerras de independência. Afinal, este sistema defensivo foi considerado obsoleto após a popularização da pólvora e da artilharia quando já não era mais possível reconstruir os muros sempre que uma bala de canhão explodia.

      É possível visitar grande parte dela, assim como os baluartes. No entanto, não espere encontrar originalidade como em Ávila ou Buitrago. Certos trechos foram reformados com cimento (ai, meu coração) e descaracterizaram um pouco o recinto amuralhado. Porém nada que impeça sua imaginação voar e imaginar como era dura a vida e a guerra naqueles tempos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Contra exploração sexual

Olá, queridos!

       Há um mês foi lançada em Madri uma campanha contra a exploração sexual de mulheres. O mote da campanha é conscentizar clientes e futuros clientes da prostituição alertando para o fato que muitas exercem o ofício obrigadas por máfias. O governo também se dirige aos adolescentes, pois agora voltou à moda sair com os amigos para as "casas de tolerância" como se fazia antigamente.

Sei que o tema esteve recentemente em uma novela e os dados corroboram que além de brasileiras agora há um número crescentes de brasileiros que também são explorados.

 A campanha deve ser entendida dentro da atual discussão europeia de erradicar a prostituição como um todo. Existem países onde é legal e o caso mais óbvio é a Holanda. Em outros cobra-se uma taxa para estarem na rua como em certas cidades da Alemanha ou em Zurique. Na Espanha segue-se o modelo brasileiro: prostituir-se não é crime, mas a exploração sexual sim. As meninas da calle Montera já fazem parte da paisagem do centro madrilenho e os clubes privê se espalham nas ruas por trás da Gran Vía e ao longo do Paseo da Castellana.

Comparando com a legalização das drogas, aqui também se responsabiliza o usuário pelo tráfico humano. Acho justo, pois se há demanda há oferta. Basta ler qualquer relato de meninas libertadas pela polícia para ficar arrepiado. Legalizar e dar melhores condições de trabalho seria uma saída, mas aí é preciso também mudar a cabeça dos homens porque, definitivamente, estes não veem a prostituta como uma "profissional do sexo" e sim com mais um objeto a ser desfrutado.
     

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe

   
 Hoje é dia 12 de dezembro, dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México e da América Latina, Imperatriz das Américas, protetora dos nascituros, padroeira do Coral Rainha das Américas que dirigi e minha padroeira também. Sempre observo as igrejas em busca de sua imagem e aqui já encontrei três: na igreja de São José da Montanha, na igreja dos Jerônimos e na de santo André. Igualmente, em Badajoz, havia um quadro na igreja de San Agustín.

Aliás, a Virgem de Guadalupe espanhola é uma devoção muito popular por aqui e há uma cidade e um mosteiro com este nome na província de Cáceres. Por isso, quando o bispo frei Zumárraga escutou o índio dizer o nome da Senhora que lhe havia entregue as rosas, por associação de fonemas o interpretou como Guadalupe.

   



    Mas toda essa introdução é para contar sobre a igreja de Nossa Senhora de Guadalupe em Madri. O templo foi projetado em 1962 por Félix Candela, Enrique de la Mora, José Ramón Azpiazu and José Antonio Torroja, e construída entre 1963 e 1965. Não pude entrar na igreja principal e tive que me contentar em visitar a linda capela redonda, com uma bela imagem da Vigem Morena rodeada por rosas (muito apropriado).

         Outro dado digno de nota, enquanto não entro na igreja, é comentar que durante sua primeira visita â Espanha,em  31 de outubro de 1982 o Papa João Paulo II esteve nesta paróquia e presidiu um ato eucarístico na rua organizado pela Adoração Noturna Espanhola. No mais, feliz dia de Nossa Senhora de Guadalupe para todos!


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Catedral de São João Batista de Badajoz

Olá, queridos!

   
É incrível a quantidade de catedrais que existem na Espanha! Cada uma no seu estilo, mas que serviam para o mesmo propósito: ser a igreja principal da região e mostrar aos fiéis que o bispo era poderoso. Cada construção reflete a época e porque não dizer, o caráter da sua diocese. Assim, a catedral de Badajoz, cidade fronteriça a Portugal e muito perto dos antigos reinos muçulmanos da Andaluzia, parece mais uma fortaleza do que um templo religioso.

   


A construção começou dois anos depois da conquista de Badajoz, em 1230, mas só foi concluída no século 18. Vários elementos foram acrescentados para alinhá-la ao gosto e às normas canônicas das épocas posteriores. Temos os típicos arcos góticos, porém o retábulo do altar principal é de 1717. Por isso encontramos aquela profusão de detalhes barrocos, colunas salomônicas, flores, frutas esculpidas e anjos gordinhos.

Pausa: o único elemento destoante vem do século 21. Inexplicávei TVs de plasma que enfeiam as naves de maneira grosseira.


A catedral também foi cenário do casamento da princesa portuguesa Bárbara de Bragança com o futuro Fernando VI. Ela impulsionou a criação do convento das Salesas e a igreja de mesmo nome em Madri. Como não deixou descendência seu corpo repousa nesta igreja e não em El Escorial como é costume na monarquia espanhola.






No altar lateral encontramos a imagem de Nossa Senhora A Antiga, uma cópia feita em 1633 da pintura original de 1497 trazida por um religioso de Sevilha. Segundo a explicação que se encontra na igreja, era costume das mães apresentarem os filhinhos recém-nascidos a Ela. Como serva obediente aproveitei a ocasião e mostrei meu pimpolho e mative a tradição.
   

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Curiosidades curiosas de Badajoz

Olá, queridos!

Badajoz também promove a mobilidade urbana com bicicletas.












Para saber o nome das ruas no centro histórico basta olhar para o chão.













O carnaval de Badajoz nada tem a ver com o que conhecemos, porém é bastante famoso. Há um museu dedicado ao tema e lojas que vendem fantasias e adereços.









Inglês ?? As placas turísticas de Badajoz estão em espanhol e português!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Já é Natal em Badajoz

Olá, queridos!

     
A cidade de Badajoz está enfeitada para o Natal. Aliás só aqui no hemisfério Norte se entende porque dia 25 é a festa da luz. Sabe como é: anoitece cedo e assim é uma bênção ver essa profusão de cores e formas. Aqui vemos a árvore de Natal e a iluminação na plaza de Espanha.







E como toda cidade espanhola há um mega hiper presépio montado na igreja feito em colaboração com os fiéis. No museu local, uma exposição das cenas relacionadas com o tema feito por vários artistas e um presépio com figuras mais, digamos, elaboradas. Este, infelizmente, não podia tirar foto. Na praça principal, o indefectível mercado navidenho e um embaixador dos reis magos recebia as cartinhas das crianças. Adoro!

Badajoz

Olá, queridos!

   
Fomos aproveitar o feriado da Constituição em Badajoz pertinho da fronteira de Portugal. A cidade foi (re) fundada pelos muçulmanos no século 9, depois que os visigodos entraram em decadência. No século 19 teve papel destacado na guerra contra os franceses e foi duramente maltratada na guerra Civil. Além disso tem um carnaval movimentado (para os padrões espanhóis), boa gastronomia e monumentos interessantes.

     



 Assim começo essa sequência mostrando a plaza Alta. Como o próprio nome diz ela fica ao alto da colina, atrás da fortaleza árabe ou alcazaba. Ali estava todo o burburrinho da cidade com mercados, as Casas Consitoriales (a prefeitura) e gente importante. Ainda hoje se realiza uma feira nos fins de semana onde se pode encontrar antiguidades e velharias; e também bares e cafés. Como viajamos em dezembro, além de todas as atrações turísticas tradicionais ainda admiramos a decoração natalina nas ruas e os presépios expostos nas igrejas e no museu municipal.Ponto pra gente!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Resultado PISA no Brasil e na Espanha

Olá, queridos!

        Hoje vou dar uma pausa e falar um pouco de como a imprensa e a sociedade do Brasil e da Espanha encararam o anúncio dos resultados do PISA no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2012 divulgados ontem.

         Quando se muda de país, se muda de ponto de vista. Para tudo. Se relativiza desde o tempo - como está calor hoje, 15 graus! - até a maneira de se comprar um pão na padaria. Quanto à educação não poderia ser diferente.

           O resultado do Brasil no teste foi desastroso, me desculpe o ministro. O Brasil ocupa o 58º lugar em matemática, o 55º lugar em leitura e o 59º lugar em ciências em um ranking de 65 países. Avançamos, mas ainda estamos lá na lanterna. Aliás, todos os países da América Latina foram mal e o Peru ostenta a duvidosa honra de ser o último. Péssimo para um continente que se gaba de estar crescendo em níveis enconômicos e sociais de forma espantosa. Sei que educação é algo que se notará no futuro, mas já não temos uma década de prosperidade econômica? Cadê o futuro?

           Quanto a Espanha, também foi desastroso.  O país ficou em 25 lugar, em Matemática; 23, em leitura e 21, em Ciências. Ora, direis, isso é ótimo! Comparado com a gente...Muito bem! Neste ponto queria chegar. Tudo depende de como comparamos e com quem confrontamos estes dados. O Brasil se comparou com os vizinhos latino-americanos; a Espanha o fez com os seus coleguinhas da Europa. A grama do vizinho sempre nos parecerá mais verde e mesmo os finlandeses estão invejando o gramado dos chineses, pois a Finlândia despencou 12 posições.

        O Brasil está mal em educação, não há a menor dúvida e ainda não parece ter colocado a educação no seu devido lugar. Sobram iniciativas, temos bons medidores, mas na realidade, recursos preciosos estão indo para outros setores ou para o bolso de alguém. Educação não é só sala de aula. De que adianta uma escola linda com um tiroteio lá fora?

       Já a Espanha enfrenta a crise econômica, um território que tem dificuldades de se pensar como nação e o desafio de lidar com populações imigrantes que necessitam ser escolarizadas.A crise fez o governo atual cortar a verba da merenda escolar e de muitas ajudas econômicas e isto será sentido em alguns anos. Outro problema é que as comunidades autônomas são muito independentes para ensinar o que desejam. Isto ficou patente nos resultados dos alunos do norte que obtiveram notas máximas e as comunidades do sul que amargaram uma avaliação medíocre. Quanto à população imigrante é um problema que o professor e a escola tem que colocar todo seu empenho. Como ensinar para um estudante que vem de outra realidade cultural, linguística e socio-econômica?

        Outro aspecto que me impressiona é a maneira como o assunto é abordado pela imprensa brasileira. Na televisão, a mocinha que o anunciava lamentou o ocorrido, mas destacou que ao menos estávamos à frente da Argentina. Oi? A Argentina vem despencando seu nível educativo e claro está que não fomos nós que melhoramos, eles é que pioraram bastante. Quando vamos deixar de encarar tudo pela ótica do futebol? Igualmente, na imprensa escrita, o tema rendeu até o anúncio da nova bola da Copa. Convenhamos que é bem mais importante conhecer a Brazuca que ficar discutindo se o cidadão entende ou não o que está lendo. Engraçado que para os resultados do Enem rios de tinta correram. Será que era para fazer propaganda das escolas privadas gratuitamente? Eis a questão.

        Deste lado do Atântico não houve jornal de bairro que não pusesse a notícia na primeira página. Desde que a Espanha entrou para a UE, em 1986 e aspira ser uma grande economia do mundo, eles se comparam aos outros países da região e descobrem que são os últimos colocados no ranking educativo. Por isso o desespero e o o tom de lamúria de sempre e as críticas ferozes ao governo e à reforma educativa que desejam implantar à revelia dos professores. A Espanha está idealizando cada vez mais o seu passado pré-crise e isso é uma armadilha sem volta.

        É preciso mudar a mentalidade imediatista e impaciente de ambos países, pois é necessário que se entenda que as transformações no campo educativo só vem mais tarde em uma ou duas gerações. Mas, principalmente, é fundamental entender a educação como um processo e não como moeda politica para se ganhar as próximas eleições. Como boa professora tenho que perguntar: alguma dúvida, senhores políticos?

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domingo, 1 de dezembro de 2013

Monumento a Calvo Sotelo

Olá, queridos!

       
No paseo de la Castellana, em frente a plaza de Castilla, quando Madri deixa de ser Madri para se transformar em uma grande cidade como outra qualquer está o monumento a Calvo Sotelo. Este foi um advogado e político que chegou a ministro da Fazenda e grande inimigo da República que havia se instalado na década de 30 na Espanha. De tanto discursar contra o regime teve sua casa invadida e foi "convidado" a dar um passeio e nunca mais voltou. Cinco dias depois estourava a guerra civil e, posteriormente, os vencedores recuperariam sua figura com esta escultura em 1960.

 








  A escultura feita de cimento branco e localizada em meio a um espelho d'água, representa um homem sentado, quebrando uma corrente com as mãos e com a cabeça inclinada e concentrado na tarefa.Ao seu lado, painéis representando uma procissão funerária e pessoas velando o corpo de um homem inanimado. Seria o cadáver do homenageado que foi abandonado no cemitério de Almudena? Também há uma escultura de mulher que chora levando às mãos à cabeça.












Polêmicas à parte de manter um conjunto escultórico daquele que é considerado o primeiro mátir do regime franquista, o documento sofreu com a construção das torres Kio e da torre Calatrava, pois o entorno ficou bastante descaracterizado. É a típica situação onde a emenda saiu pior que o soneto...

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Brasileiras pelo mundo

Olá, queridos !

     Como se não bastasse tudo o que tenho para fazer resolvi incorporar mais uma tarefa a minha agenda. Agora, sou colunista do blog Brasileiras pelo mundo. Junto às compatriotas que estão em diferentes pontos do globo vou dar a minha visão pessoal e bem feminina sobre a Espanha. Visitem-nos e curtam os textos!

         

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bolo de azeite

Olá, queridos!

       Opa? Bolo de quê? Isso mesmo: azeite! Em um país em que até a pediatra manda passar azeite na cabeça do baby quando aparecem aquelas crostas também se faz doce de azeite. Resolvi dar uma de Ana Maria Braga e compartilhar com vocês. Ainda não fiz a receita, mas quem sabe um dia? Em tempo: já provamos biscoitos de azeite e os incorporamos às comprinhas da casa.

Ingredientes (para quatro pessoas)

250g de açúcar
250g de farinha de trigo peinerada
150ml de azeite extra virgem
4 ovos
100ml de leite
1 colher de café de fermento em pó peinerado
Casca de laranja ralada

Modo de fazer

Em uma tigela misturar os ovos com o açúcar até virar uma massa homogênea. Acrescentar a farinha e o fermento. Mexer bem. Em seguida, incorporar o leite, misturar e, por último, por as cascas de laranja raladas. Despeje em uma forma untada de azeite de oliva e farinha. Introduzir a forma no forno pré-aquecido a 180º. Deixá-lo por 50 minutos e uma vez retirado do forno e do tabuleiro polvilhar com açúcar de confeiteiro.

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domingo, 24 de novembro de 2013

Azeite

Olá, queridos!

       
  Estava eu feliz e contente indo para o trabalho quando vi um desses carrinhos de ambulantes. Pausa: aqui em Madri é proibidissimo vender comida na rua. Não se vê sequer um carrinho cachorro-quente nas esquinas. Somente no outono inverno se vendem castanhas e milho. Continuemos. Atrás um jovem todo engomadinho convidando os passantes para provar diferentes tipos de azeite. Como já estava em cima da hora não parei, mas no dia seguinte encontrei um carrinho similar na plaza Colón e experimentei o bendito óleo do fruto das oliveiras.

          Oh, espanto total!! Assim como as uvas, as olivas tem distintas espécies e cada uma vai produzir um tipo diferente de óleo. Não quero nem entrar no mérito de métodos de prenssagem e armazenamento. Bem, descobri que há quatro tipo de olivas na Espanha: arbequina, coricabra, picual e hojiblanca. Gostei mais do primeiro, pois me pareceu bem forte. Também descobri que as tais barraquinhas eram uma iniciativa do governo espanhol para promover os produtos da terra que ficarão nas ruas de 21 de novembro a 14 de dezembro. Bela iniciativa!

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O 20 de novembro

Olá, queridos!

     
 Hoje na minha terra é dia da Consciência Negra e, já alguns anos, feriado. Até hoje não sei o que se deve fazer neste dia, pois nunca há nenhuma manifestação de grande porte. Enfim. Nada como um dia para repensar o quanto devemos aos negros que foram escravizados e mesmo assim plasmaram o Brasil. Para mim, o ideal seria uma palestra sobre algum aspecto da cultura negro-brasileira, roda de capoeira e samba.

       Aqui, na Espanha, o dia 20 de novembro é controverso. Em 1975, morria o general Franco, depois de comandar o país por mais trinta anos ao vencer a guerra civil. Não vou contar toda história aqui, mas até hoje tem gente que suspira por ele, critica tanto a esquerda quanto a direita, e hoje é o grande momento esperado pelos herdeiros, ao menos ideólogicos, do franquismo. Passeatas são organizadas, concentrações e os bairros amanhecem cheios de cartazes convocando para atos políticos. Como não poderia deixar de ser, o ponto nevrálgico é o Vale dos Caídos, onde repousa o caudilho. Os radicais de todas as cores se encontram ali e separados pela polícia ficam se insultando mutuamente em uma atitude educativa. Sei não. Prefiro a roda de capoeira.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Santos pelas ruas

Olá, queridos!

       
Dizem que no Rio de Janeiro dos tempos coloniais e imperais havia tantos oratórios, ermitas e altares pelas ruas e casas que uma pessoa poderia passar a vida toda rezando diante de cada imagem. Uma cidade que mantém esta profusão é Ouro Preto, em Minas Gerais e acredito que outras lugares do interior também (se você souber de alguma os comentários estão aí ao seu dispor).
   




Descobri que as ruas de Madri também foram pródigas em imagens sacras e seja pelos governos de esquerda, seja pela mudança de hábitos poucas chegaram ao séc. 21. Por isso, encontrar a Virgem "La Dolorosa" na esquina da calle de Vergara e a praça dos Ramales foi uma grata surpresa. A foto não está boa, reconheço, mas olhando bem, ficou mais interessante mostrar a iluminação que ela recebe durante a noite. Que Ela nos proteja!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Eleições para o Parlamento Europeu

Olá, queridos!

     
 Bem, não sei se já contei a vocês, mas também tenho a cidadania portuguesa. Só assim foi possível ficar na Espanha e também por isso agradeço ao meus avós
que saíram lá da Ilha Terceira para imigrar para o Brasil, ó pá.

       No entanto, isso também vai acarretar a minha primeira obrigação política. Todo cidadão europeu pode votar, se quiser, para prefeito da cidade onde mora. Dispenso essa dádiva. Há duas semanas, porém, chegou uma carta me comunicando que, como cidadã portuguesa longe do meu país, poderia votar para as eleições do parlamento europeu. O procedimento seria simples. Bastaria me inscrever pela Internet na "Oficina del Censo Electoral" e manifestar meu consentimento. Mais tarde seria enviado por carta onde deveria votar.

        Nem preciso dizer que já confirmei e irei exercer meu sagrado direito de votar. Ainda que o parlamento europeu esteja desacreditado - ninguém entende para o que ele serve na prática - estou achando o máximo participar da minha primeira eleição supra-nacional.

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domingo, 17 de novembro de 2013

Cine Benlliure

Olá, queridos!

         
 Atualmente, na Espanha, há uma grande discussão sobre o destino do cinema nacional pós-crise. O governo anunciou cortes para as produções cinematográficas e várias salas de bairro já fecharam as suas portas. Este último fenômeno não é exclusividade espanhola.Assistimos também no Rio os lindos cinemas serem transformados em igrejas evangélicas, lojas ou simplesmente derrubados.

         



Um cinema que está sendo reformado novamente é o cine Benlliure, na calle Alcalá. O nome é em homenagem ao escultor so século 19 Mariano Benlliure e ainda é possível ver o letreiro no alto do prédio. Inaugurado em 1954, a construção em estilo art-decó, tem sua entrada na esquina, com colunas e degraus, como costumavam ser as salas de projeção desta época. O cinema foi fechado em 2007 e transformado em livraria. Agora, anunciam sua conversão em loja esportiva. Vamos ver o quanto da arquitetura original será respeitada, tal qual fizeram com o cine Salamanca.

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sábado, 16 de novembro de 2013

Dom Juan de Borbón y Battenberg

Olá, queridos!

 
Nas minhas pesquisas para fazer o post sobre o busto de Goya acabei descubrindo que o autor, Victor Ochoa, é o mesmo que esculpiu o busto de dom Juan de Borbón y Battenberg, pai do atual, rei Juan Carlos I. A cabeça tem sete metros, cinco toneladas de peso e foi inaugurada no dia 27 de junho de 1994 pertinho do parque Juan Carlos I. Na base, a assinatura do homenageado e a curiosidade de estar voltada para a direção sul, onde está o mar tão querido por ele. A obra tem os mesmos rasgos dramáticos do rosto de Goya. O artista soube captar muito bem o estresse que foi para dom Juan ter sido pretendente do trono durante quarenta anos para finalmente ter que abdicá-lo em favor do filho.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Goya

Olá, queridos!

     
Goya não nasceu em Madri, mas foi nesta cidade que ele se fez famoso. Nada mais justo que receba homenagens dando nome a ruas, estações de metrô, lojas, etc. Também há estátuas como a que fica no museu do Prado esculpida em 1902, por Mariano Benlliure. Lugar correto, pois ali se encontram várias obras do pintor.

      Por ocasião do anivesário de 250 anos de nascimento do artista, Goya foi contemplado com um busto feito pelo escultor Victor Ochoa. Belo trabalho que o mostra com traços mais dramáticos e mesmo atormentados. A peça foi inaugurada em 1998 e está na confluência das calle Goya e Alcalá, e é posssível chegar ali pela estação Goya. Uma verdadeira overdose goyanesca.

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domingo, 10 de novembro de 2013

O cavalo de Espartero



Olá, queridos!



Junto a uma das entradas do parque do Retiro, próxima a igreja de san Benito e san Manuel, o general Espartaro está ali, vigiando do alto de seu cavalo, o trânsito e a boa ordem da cidade. O militar tem um currículo extenso: lutou no Peru, na Espanha durante as guerras carlistas para assegurar o trono a Isabel II, participou do conselho de Estado, foi regente enquanto a princesa não completava a maioridade. Por fim, foi o único militar espanhol a ser agraciado com um título de príncipe e ser tratado como Alteza Real; aliás, a rua Príncipe de Vergara está colada ao monumento.


Porém, tanta labuta serviu pouco para manter sua memória. No século 21, Espartero é mais lembrado pelo seu cavalo, melhor dizendo, pelo cavalo onde está montado. Parece que o escultor, Pablo Gibert Roig, teria exagerado nos atributos masculinos do equino e isso gerou um ditado muito popular na Espanha. Quando uma pessoa mostra muita coragem e valentia se costuma dizer que ela tem "los cojones (o más cojones) que el caballo de Espartero". Lamento, mas não foi possível chegar mais perto e comprovar o tamanho do dito-cujo.

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Greve de lixeiros

Olá, queridos!

           
Não greve mais incômoda que as dos profissionais de limpeza urbana. As de transporte provocam a imobilidade e as dos bancos, dor de cabeça. As de professores, nada. Madri vive hoje o quarto da greve dos lixeiros e esta não tem data para acabar. O resultado já é visível: lixeiras transbordando e muita sujeira na calçada. Mas o pior é que os próprios trabalhadores se encarregam de espalhar toda a porcaria. Para quê, gente? A paralisação de vocês transtorna a vida de todos democraticamente. Não é preciso mais.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Salsicha com batata

Olá, queridos!

        A foto não é atual, mas com nosso novo empreendimento "Rumo a Madrid" acontecendo, estou desenterrando fotos antigas e vendo que deixei de mostrar algumas coisas pra vocês. Como já comentei, a Real Academia Espanhola ainda não registrou a palavra "colesterol", nem "gordura". Prova disso é uma gulodice que atende por salsicha com batatas. Ora, direis, isso tem em todo lugar! Mas com a quantidade absurda de gordura e para completar, maionese, não tinha visto. Claro que é uma delícia e proibidíssimo para quem problemas de coração.

             

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Muçulmanos em Madri

Olá, queridos!

       Morar na Europa é conviver com distintas culturas no mesmo metro quadrado. Sei que no Brasil temos muita diversidade cultural, mas as características de cada povo já estão tão plasmadas em nosso sangue que nem nos damos mais conta das diferenças. Um dos povos que mais chama a atenção, especialmente pelo que diz respeito as vestimentas femeninas, são os seguidores do profeta Maomé.

     
Na Espanha, a imigração oriunda dos países islâmicos se faz presente em muitas cidade e Madri, por ser a capital, concentra o maior número de habitantes desta religião. Em recente estudo publicado pelo "Observatório Andalusi", constata-se que a metade vem do Marrocos, seguidos por paquistaneses e senegaleses; e que os mulçumanos representam 3% da população espanhola. Desta forma, não é possível falar de uma identidade única entre esses muçulmanos.

     


Em Madri, os muçulmanos se concentram principalmente no bairro de Lavapiés sendo comuns os açougues especializados em vender carne abatida segundo o preceito islâmico e as lojas de doces de amêndoas. De todas as maneiras o lugar não chega a ser um gueto, pois foi também o bairro escolhido pelos indianos para morar e vemos lado a lado restaurantes indianos e africanos, por exemplo. 

       




Outro bairro que concentra a população muçulmana é Cuatro Caminos onde se fica a mesquita central. É um prédio simples, de quatro andares, onde também funciona um açougue, creche e biblioteca. O edifício foi concluído em 1988 quando não havia a paranoia de associar todo muçulmano ao terrorismo. Além dela, existe a "mesquita da M-30", pois uma das entradas está voltada para esta rodovia, em cidade Lineal (apesar do nome trata-se de um bairro madrilenho), onde funciona o Centro Cutural Islâmico. Outro polo cultural em Madri é a Casa Árabe, que assim como suas congêneres "Casa de América" e "Casa Ásia", tem como objetivo promover exposições, debates, festivais de cinema e a literatura desses países.
       

         
Adicionar legenda
Em relação as mulheres chama atenção pelo uso de véus que cobrem a cabeça, calças com batas largas. Praticamente não existem mulheres que vestem burka ou se cobrem de negro como em outros países. Aqui, as muçulmanas deixam ver os rostos e se são jovens, quase sempre estarão maquiadas.

        Como é a convivência dos muçulmanos e espanhóis? Bem, quase a metade já é espanhola, pois já nasceu aqui. No entanto, isso não basta para serem aceitos pelo resto da sociedade e claro que existem muitas reações em contra a esta comunidade por parte dos espanhóis e de outros grupos. Com a crise, a animosidade tende a aumentar, pois as oportunidades de emprego diminuíram para todos, nacionais ou imigrantes. Entretanto, parece sintomático que ultimamente, qualquer comunidade islâmica que deseja ampliar sua mesquita tem sempre a permissão negada ou postergada pelos motivos mais variados. Um eco da vida pós 11/09 e pós 11/03 que ainda pesa na Espanha.